continuação - texto de Perry Anderson - AS
2o fator: As tropas mercenárias no interior do Exército regular Mesmo que o Exército regular tenha marcado o predomínio do poder estatal sobre os clãs feudais, na medida que retirou deste o poder das armas, para Anderson, se mantiveram, ao longo dos séculos, as tropas mercenárias. Contratadas junto aos estrangeiros como suíços, irlandeses turcos, húngaros e outros, as verdadeiras máquinas de guerra que se estabeleceram na Europa (França, Inglaterra, Áustria, Espanha) utilizaram-se dos mercenários em duas ocasiões: a) para os conflitos entre nações; b) para sufocar as sublevações camponesas, principalmente. Neste ponto, para Anderson mais uma vez se mostra o caráter feudal do Estado Absolutista, na medida: i) que a nobreza não queria armar a massa de camponeses; ii) que os mercenários por não se identificarem com essa massa, a combatia com maior tranqüilidade. 3o – Diplomacia Versus Guerra O terceiro fator é uma decorrência do segundo. Segundo Perry Anderson, a Renascença assistiu ao desenvolvimento da Diplomacia. Mas, o espírito do Estados europeus não era o da negociação e sim o da Guerra, na medida que a Guerra: a) não só definia a nobreza em sua identidade íntima; b) como os Estados preferiam o jogo de soma-zero. Assim avançar sobre outro país representava tornar para os súditos do rei as terras e o comércio do oponente. A nobreza não se preocupava com a língua dos povos conquistados. “Os territórios públicos formavam um continuum com os domínios privados e o instrumento para a sua aquisição era a força, invariavelmente disfarçada com protestos de legitimidade religiosa ou genealógica.” (pág. 31) Por essa razão os Estados Absolutistas gastaram tanto com equipamento militares e, conforme Anderson, no século XVI houve apenas 25 anos sem operações militares de grande invergadura. 4o fator: A aquisição de cargos na burocracia Como já´ressalta Leon Pomer boa parte dos cargos burocráticos foram ocupados pela nobreza, o que para Anderson aparece como o “modo predominante de integração da nobreza feudal ao Estado Absolutista no Ocidente...” (pág. 33). Conforme o autor, a aquisição do cargo de forma privada garantia a possibilidade para o nobre exercer os abusos dos privilégios e corrupção o que lhe permitia o ressarcimento do dinheiro investido, bem como a realização de lucros de 300 a 400 por cento, e talvez muito mais. Assim a proliferação da nobreza no interior do Estado Absolutista é flagrante, semelhante à sua forma parasitária de atuação. Por outro lado, Mas, é preciso ressaltar que a burguesia mercantil também realizou sua ascensão a partir do aparelho do estado. Neste sentido, a maiores vítimas eram os pobres, na medida que sobre estes recaiam a extorsão e os impostos, dado que a classe senhorial estava isenta de pagar tributos por toda parte. Concluindo. Para Anderson, por mais que a Época Moderna tenha representado um momento de ascensão econômica por parte da burguesia, esta ascensão foi tutelada pela presença de um Estado interventor que ao colocar os INTERESSES DA NAÇÃO acima dos interesses individuais ou do grupo burguês, dirigiu o DESENVOLVIMENTO ECONÕMICO. Por outro lado, esta atuação do Estado foi possível porque o desenvolvimento mercantil não exigia a total dissolução dos traços feudais, o que deu à NOBREZA uma condição de manobra e permanência no interior do aparelho estatal. Assim, ao mesmo tempo, que a burguesia se desenvolveu, o Estado tornou-se rico e operou o seu crescimento pela força das amas.
Escrito por Prof. João Carlos às 02h39
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