HISTÓRIA MODERNA

Resenha 2 - A Monarquia Nacional na Inglaterra: dos Tudors ao Commonwealth

 

 

 

Quando se encerrou a Guerra das Duas Rosas (1455-1485), Henrique VII ascendeu ao poder, dando início à dinastia dos Tudors: Henrique VII, Henrique VIII e Isabel I (ou Elizabeth I).

 

 

Durante a dinastia dos Tudors, a Inglaterra conhece o desenvolvimento do Absolutismo, embora estes monarcas tenham mantido o Parlamento aberto e estabelecido com este uma relação que se baseava em várias táticas que iam do jogo de influência, chantagem ou mesmo a repressão.

 

O objetivo era fazer com que aos olhos do povo inglês, as leis propostas pelos monarcas parecessem propostas pelo próprio Parlamento.

 

 

a)             Governo de Henrique VII

 

Henrique VII governou de 1485 a 1509.

Entre as medidas que adotou destacam-se o aumento de impostos, tendo como objetivo sanar as contas do Estado. Por outro lado, desenvolveu uma frota para o comércio continental e reatou relações diplomáticas com a França, Espanha e Escócia.

Seu reinado é considerado de satisfatória estabilidade interna e externa, o que deu condições para o desenvolvimento da burguesia.

No plano externo arranjou o casamento de seu filho – e sucessor – Arthur (Príncipe de Gales), com a Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha – Fernando e Isabel.

Em 1501, o casamento se realizou, mas, no ano seguinte, Arthur – aos 15 anos, morreu de tuberculose e Catarina tornou-se noiva de Henrique (futuro Henrique VIII).

A Igreja permitiu a anulação do casamento de Catarina de Aragão com Arthur, pois esta alegou não consumar o primeiro matrimônio, embora, conforme relata Vivian Green, Arthur teria se gabado obscenamente de ter passado (nas núpsias) “a noite toda no meio da Espanha”. (Vivian Green, pág. 171)

Crise sofrida por Henrique VII se deu em torno da epidemia do chamado “suor inglês”. Doença misteriosa que impediu sua posse por cinco semanas e que durante o período – até a ascensão de Isabel I – atacou a Inglaterra em cinco epidemias, o suor inglês causava dores de cabeça, convulsão, coma e morte. As pessoas que resistiam suavam muito, mas conseguiam se recuperar.

 

 

 

b)             Governo de Henrique VIII

 

Com a morte de Henrique VII, seu filho Henrique VIII assumiu o trono (1509).

O casamento com Catarina de Aragão foi importante para as relações Inglaterra-Espanha, mas com o tempo a diplomacia entre os dois países começou a ruir.

Henrique VIII que ficou conhecido por sua impetuosidade, beleza e talento artístico como músico, passou, desde 1516, a não dormir mais com sua esposa.

Acredita-se, por um lado, em função das rivalidades entre Inglaterra e Espanha, e, por outro, em função da morte de cinco filhos (quatro meninas e um menino). Do casamento vingou apenas a princesa Maria.

 Em 1518, Henrique VIII teve um filho com Elizabeth Blount. Depois se tornou amante de Maria Bolena.

Preocupado com a sucessão ou já enamorado por Ana Bolena, Henrique VIII influenciou na escolha do Bispo de Canterbury que solicitou ao Papa a permissão para o divórcio do rei.

Como o pedido demorou para ser julgado por Roma, o próprio bispo autorizou o divórcio, levando o Papa a excomungar Henrique VIII. Antes do casamento de Henrique com Ana Bolena o “suor inglês” voltou a acometer a Inglaterra.

 

Com a excomunhão há o rompimento do monarca com a Igreja e a criação do Anglicanismo. O Parlamento decretou, primeiro, a oficialidade do segundo casamento de Henrique VIII e, depois, em 1534, o tornou a “cabeça” (caput)  da nova religiosidade.

Henrique VIII impôs a nova religião ao conjunto da população. Perseguiu e matou os seus opositores, como o Bispo de Rochester, John Fisher.

O Estado apossou-se de terras católicas e a Inglaterra mergulhou em um conflito político-religioso, marcado pela presença dos católicos, dos anglicanos e dos protestantes calvinistas (conhecidos como puritanos).

 

Henrique VIII ainda realizou mais quatro matrimônios.

Quando morreu (1547) o trono foi sucedido por Eduardo VI (filho de seu terceiro casamento), que governou seis anos: assumiu aos 9 anos de idade e faleceu, doente, aos 15.

De 1553 a 1558, a filha de Catarina de Aragão com Henrique VIII, Maria Tudor, assumiu o poder.

Tentou restabelecer o catolicismo perseguindo anglicanos e protestantes. Enforcou pelo menos trezentas pessoas acusadas de heresia, o que lhe rendeu o cognome de “Maria Sanguinária”.

Casou com Filipe II, rei da Espanha.

Seu governo cedeu lugar a Elizabeth – filha de Ana Bolena, coroada Isabel I.

 

c)             Governo de Isabel I

 

 

Isabel I governou de 1558 a 1603 e entre as medidas que adotou estão:

a)  o estabelecimento da tolerância religiosa, embora o Anglicanismo fosse a religião oficial inglesa;

b)   o desenvolvimento do início do processo de  colonização. A primeira colônia na América do Norte foi chamada de Virgínia em homenagem a rainha conhecida como “Rainha Virgem”;

c) do ângulo das relações externas, Isabel I lutou contra sua prima católica, Maria Stuart da Escócia. Enviou recursos para os protestantes franceses (chamados de huguenotes), liderados por Henrique de Bourbon (ou Henri de Navarra) na luta contra os reis católicos (família Médici). E auxiliou os judeus e protestantes na luta dos atuais Países Baixos por sua independência em relação ao trono espanhol.

Foi neste momento, inclusive, que a atuação dos corsários ingleses (piratas) se intensificou atacando vários galeões espanhóis carregados de ouro e prata. Francis Drake, além de corsário, comandou a vitória da marinha inglesa contra a poderosa marinha “Invencível” da Espanha (1588).

 

Após sua morte, sem deixar herdeiros, se iniciou um novo momento de conflito pelo trono, que levou a ascensão do primo de Elizabeth, Jaime VI, da Escócia.

 



Escrito por Prof. João Carlos às 23h55
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HISTÓRIA MODERNA

 

A – Os Stuarts e a Guerra Civil

 

Isabel I foi substituída pelo seu primo – Jaime VI da Escócia, que unificou o trono inglês ao escocês sob o título de Jaime I.

 

Jaime I procurou estabelecer o poder absoluto na Inglaterra, tanto na prática – como os seus antecessores – como legalmente. Dizia Jaime I, que “os reis são com justiça chamados de Deus...” (Burns, 1957, p.521).

 

Sua atitude política, aliada à sua intromissão nos assuntos religiosos, não demorou para levar o povo ao descontentamento.

Por outro lado, fazia parte de suas pretensões aumentar os impostos e, diante da recusa do Parlamento, mandou dissolver o órgão.

 

Do ângulo religioso ameaçou expulsar os puritanos. Embora, Bruns afirme que Jaime I era puritano, sua política, com exceções feitas a afirmação divina de seu poder e à recusa aos puritanos – foi considerada controversa, pois assegurou a pacificação em relação aos católicos espanhóis, mas era visto por alguns católicos como ligado aos interesses dos protestantes, pois acreditavam  esses ingleses que o rei pensava apenas em seus interesses e favorecia os escoceses em prejuízos dos católicos ingleses. (ver Antonia Fraser, a Conspiração da pólvora)



Com sua morte, em 1625, seu filho Carlos I chega ao poder.

 

Carlos I conseguiu desagradar o povo inglês tanto quanto seu pai.

Buscou elevar os impostos, sendo contrariado pelo Parlamento. Forçou empréstimos de seus súditos, punindo aqueles que se recusavam, ao aquartelar soldados em suas casas ou prendendo-os sem processo.

 

O Parlamento reagiu obrigando Carlos I a assinar a Petição de Direito, em 1628, documento similar à Magna Carta, onde o rei só poderia cobrar impostos aprovados pelo Parlamento.

Mas, Carlos I não desistiu utilizando-se de todo o tipo de tática para aumentar o erário sob seu controle. Entre elas destacam-se: a) a concessão de títulos aos burgueses e a cobrança, posterior, de impostos sobre eles; b) a cobrança de imposto naval de cidades litorâneas e do interior, c) pode-se destacar também a proibição da utilização das propriedades de florestas, com a penalidade de cobrar  taxas dos infratores.[1]

 

Carlos I tentou ainda impor o sistema episcopal de governo aos presbiterianos escoceses, o que gerou revolta.

 

Tentou, assim, aprovar novas verbas no Parlamento, que tentou reduzir seus poderes. Isto em 1636.

 

Entre 1642 e 1649 eclodiu a guerra entre as tropas do rei e as tropas parlamentares.

 

O grupo real era formado por nobres tradicionais, anglicanos e proprietários de terra, sendo denominados de Cavaleiros.

 

As tropas parlamentares eram formadas pelos puritanos e grupos urbanos, sendo dirigidas por Oliver Cromwell e pelo Lord Fairfax. Ficaram conhecidos como Cabeças Redondas, visto que os soldados utilizavam cabelos curtos em desprezo à utilização de cabelos anelados.

 

Em 1646, as tropas de Carlos I foram derrotadas e o rei obrigado a se entregar.

 

Mas, o grupo de parlamentares se dividiu. Parte deles queria restituir Carlos I como rei, em troca da fé presbiteriana ser estabelecida como religião oficial. Outra parte, os Independentes, desconfiava de Carlos I e desejava manter a tolerância religiosa.

 

Carlos I se aproveitou da divisão entre os parlamentares e reiniciou o conflito em 1648. Após nova derrota foi, em 1649, decapitado junto aos seus aliados, acusados de traição. Conforme narra George Rudé, Cromwell também executou sumariamente os levellers, grupo popular que reivindicava o fim das desigualdades sociais[2]. Tal atitude prenunciava o caráter moderador da Revolução que se estabelecia na Inglaterra.

 

 

Iniciava-se, assim, o período do Commonwealth, que tinha como objetivo representar o Estado governado pelo povo.

 

Seu chefe foi Oliver Cromwell.



[1]As florestas não representavam áreas virgens, mas, no geral, se constituíam de regiões que foram reflorestadas para a prática da caça pelo rei ou para o seu repouso. Várias famílias se estabeleciam nessas regiões, criando um modo de vida próprio.

[2]O termo leveller provém do verbo to level, que significa “nivelar”.



Escrito por Prof. João Carlos às 23h54
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B – O  Commonwealth

 

 

O  Commonwealth    se caracterizou como uma República oligárquica, sendo liderado pelos Independentes.

 

Sua base de organização era o “Rump Parliament” (com cerca de 60 membros). Nos termos ingleses a palavra Rump significava o “rabo da ave”, ou seja, o que restou do Parlamento após o expurgo de cerca de 140 membros, favoráveis a um acordo com o rei Carlos I, antes de sua decapitação.

 

Foi criado um Conselho de Estado, composto por 40 membros.

 

Cromwell com o apoio do exército dominou as duas casas.

 

Em 1653, mandou fechar o Parlamento, exasperado pela pretensão dos legisladores de confiscar a fortuna dos seus inimigos.

 

Estabelecia-se, assim, uma “ditadura virtual”, onde Cromwell tinha amplos poderes, recebendo o título de Lord Protetor, com transmissão hereditária. Segundo Christopher Hill (tradução de Renato Janine) o termo Lord Protector era utilizado para os príncipes antes de assumirem a maturidade.

 

 

O Parlamento exerceu atividades limitadas até 1655, quando foi totalmente dissolvido.

Cromwell passou a exercer poderes absolutistas.

 

Enfrentou revoltas na Irlanda e Escócia, onde, inclusive, o príncipe Carlos (futuro Carlos II), filho do rei Carlos I, fora proclamado rei.

 

Cromwell massacrou os irlandeses e venceu os escoceses, forçando o príncipe Carlos a se exilar.

 

Teve problemas também com os puritanos e presbiterianos, que exigiam uma igreja oficial, além de conflitos externos com espanhóis e holandeses.

 

Em setembro de 1658, Cromwell morreu, sendo sucedido pelo seu filho Ricardo.

 

Em maio de 1659, Ricardo foi deposto. Havia na Inglaterra uma série de conflitos resultantes da política de seu pai , o que levou à sua derrocada.

 

Em 1660, o Parlamento recentemente eleito convidou o príncipe Carlos a ocupar o trono.

 

Carlos, sob o título de Carlos II, governou de 1660-1685, prometendo respeitar a Magna Carta e a Petição de Direitos.

 

Saldado, inicialmente, seu governo apresentou vários problemas:

 

1o – o rei era tido como extravagante e preguiçoso;

2o – procurou favorecer os católicos, o que levou os ingleses a temerem cair sob os domínios de Roma;

3o – em 1681, dispensou completamente o poder legislativo, afrontando o Parlamento.

 

 

A política de Carlos II foi continuada por seu irmão, Jaime II, que assumiu o trono em 1685.

 

Católico fervoroso parecia tentado a tornar essa fé religião oficial.

 

Violou ato do Parlamento: exigiu que todos que ocupassem cargos importantes aderissem ao anglicanismo.

Colocou no exército (em importantes postos), os católicos.  

 

 

Apesar dos descontentamentos gerados, os ingleses não pretendiam derramar mais sangue, por isso esperavam que uma das 2 filhas protestantes de Jaime II o sucedesse (Maria e Ana).

 

Este, no entanto, teve 1 filho de seu segundo casamento, com uma mulher católica.

Estabelecia-se, assim, o temor de que o trono inglês fosse ocupado por um católico.

 

Políticos convidaram Guilherme de Orange e sua mulher Maria (filha mais velha de Jaime II) para ocupar o poder. Dessa forma dava-se o passo para evitar a reestruturação do Absolutismo e de um futuro governo católico.

 

Sob o novo governo (Guilherme de Orange), o Parlamento aprovou várias leis (em 1689) para garantir seu poder. São elas:

 

- as desapropriações, em relação aos inimigos - poderiam ser feitas apenas por um ano;

- aprovação do Toleration Act – concessão de liberdade a todos os cristãos, exceto aos católicos;

- aprovação do Bill of Rights (Direitos dos cidadãos) – julgamento pelo juri e direito de recurso para reparar injustiças. Se estabeleceu o habeas corpus, o que permitia o direito de defesa, sem sofrer abuso de autoridade;

- condenava fiança excessiva e punições cruéis;

 

A Inglaterra, dessa forma, adotava o caminho de barrar as pretensões de um poder absolutista, fortalecendo o Parlamento. Por outro, dava condições para a manutenção dos interesses de parte da nobreza e da burguesia comercial e manufatureira, em processo de ascensão.

 

Trilhava-se, assim, o caminho para o fortalecimento daquilo que poderíamos chamar de modernização conservadora, visto que os governos a se estabelecerem não atenderiam, concretamente, os interesses das camadas populares, envolvidas no processo de guerra desde o ano 1640.



Escrito por Prof. João Carlos às 23h52
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C – As camadas  populares e as revoltas no interior da Revolução Inglesa

 

 

Quando se busca focalizar o papel das camadas  populares no interior da Revolução Inglesa, merece destaque a obra de Christopher Hill.

O autor cita que durante muitos séculos as revoltas populares se constituiram em característica essencial da tradição inglesa, sendo que as décadas centrais do século XVII presenciaram a maior revolta inglesa.

No entanto, apesar dos grupos populares terem sido chamados a participar das revoltas, o seu resultado beneficiou - no que toca ao confronto entre o Parlamento e Carlos I (anos 1640) - setores da pequena nobreza e os comerciantes.

 

                     Obs. A pequena nobreza, geralmente agrária, é designada pelo termo gentry ou, no latim, nobilitas minor, para distinguir-se da nobreza ou aristocracia (nobilitas maior): aquela que possuía títulos (duque, marquês, conde, visconde e barão)

 

A pretensão de  Christopher Hill  é focalizar o processo revolucionário a partir do ângulo dos grupos populares, na composição do que denomina “revolta no interior da Revolução”.

 

O objetivo é focalizar “... as tentativas de vários grupos (de) ... imporem as suas próprias soluções aos problemas de seu tempo...” (pag. 30)

 

Entre os grupos se destacam:

 

a) os levellers – assim conhecidos por pretenderem nivelar as distintas condições sociais (do verbo to level, como já mencionado na nota 3);

 

b) os diggers – do verbo to dig, significa cavar. Referência feita a um grupo de pessoas que se instalou, em 1648, num terreno não aproveitado e se pôs a preparar a terra, realizando uma reforma agrária espontânea em oposição aos interesses da sociedade e do Estado;

 

Do ângulo religioso, destacam-se: c) batistas; d) quacres; e) os seekers (do verbo to seek: procurar, buscar), devido ao seus ceticismo em relação às instituições e crenças de sua sociedade;  f) os ranters e também os diggers;

 

Hill enfatiza que, provavelmente, não se podia encontrar no período uma distinção entre politica, religião e ceticismo. Por outro lado, os grupos podiam se aproximar (entre 1645 e 1653) em suas crenças, valores, visto que se assistiu, na Inglaterra, a um questionamento de tudo.

 

Afinal, no quadro histórico de triunfo da forças parlamentares sobre Carlos I, com a decapitação do rei em 1649, parecia que a pequena nobreza e os grandes comerciantes restabeleceriam seus valores tranqüilamente. Mas, a mobilidade e a fermentação intelectual colocaram em xeque tanto os valores da velha sociedade hierárquica como os da própria ética protestante.

Assim, o controle só se restabeleceu no Protetorado de Oliver Cromwell, conduzindo à restauração do poder da pequena nobreza e, depois de 1660 (com Carlos II e Jaime II), ao poder do rei e dos bispos.

 

Christopher Hill acredita no desenvolvimento de duas revoluções:

a dos vencedores, consagrada pelos direitos de propriedade e da common law sobre a predominância dos tribunais (a common law, representa a lei comum, baseada na tradição, que deu lugar, no governo dos Stuarts, às prerrogativas estabelecidas pelos reis, fundamentadas nos tribunais).

 

II)a que não chegou a se concretizar, embora de tempos em tempos ameaçasse acontecer, podendo ter estabelecido um regime mais democrático (com sistema comunal de propriedade) e retirado da Igreja Anglicana o seu caráter oficial, além de repudiado a ética protestante.

 

A argumentação leva em conta a existência de grupos que, no interior de uma Inglaterra em tradição, se encontravam na condição de “homens sem senhores”. Entre eles estão:

a) vadios, vagabundos e mendigos – principalmente os desapropriados pelo processo de cercamentos e que passaram a ser vítimas das leis sanguinárias, que visavam – a partir de duras penalidades, disciplinar a classe operária em gênese;

 

b) vadios, vagabundos e ladrões da cidade – principalmente concentrados em Londres, visto que a cidade passou por um profundo processo de crescimento demográfico e a marginalização social gerou um submundo, que nos momentos de crise submergia com toda a sua força, sendo, em alguns momentos, recrutados, inclusive, para a ação na cena política;

 

c) os grupos religiosos – atuavam predominantemente nos centros urbanos e buscavam se colocar numa situação social melhor do que os marginalizados. Ao se estruturarem criaram programas de proteção aos mais pobres. Esses grupos (quacres, ranters, diggers, entre outros) questionavam tanto a religiosidade oficial de Estado como a própria ética protestante. Em alguns momentos assumiam posições bastante radicais como os ranters que em cultos religiosos fumavam e bebiam muito, além de pregarem o amor livre, com iguais direitos entre homens e mulheres.

Hill aponta que os diggers, além das questões religiosas, tiveram importante participação econômica ao assumirem uma postura socializante em relação à propriedade. Outra importante contribuição dos grupos religiosos foi a “popularização” da idéia de Deus. Um deus acima dos poderes monárquicos, das regras dos homens.



Escrito por Prof. João Carlos às 23h50
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