HISTÓRIA MODERNA
O período seguinte da guerra foi comandado por Eduardo IV da Inglaterra, conhecido como "o príncipe negro" (por conta da cor de sua armadura), e por João II, conhecido como "o bom", que sucedera ao pai no comando do reino francês. Esse período foi caracterizado por sucessivas vitórias inglesas, contando com o apoio de muitos nobres locais, mais preocupados em preservar seus domínios do que com a lealdade devida ao rei da França, possibilitando o domínio de cerca de um terço do território francês nas regiões norte e oeste. Em 1356, quando da batalha de Poitiers, o rei João II foi capturado e levado como prisioneiro para a Inglaterra, onde morreria oito anos depois, momento que representou o ápice das conquistas inglesas e, pelo contrário, o momento mais delicado para a França na guerra, forçando-a a assinar o Tratado de Brétigny (1360) que reconhecia o domínio inglês sobre as regiões conquistadas e devolvia os territórios tomados no início do conflito. Após a morte de João II, o bom, o reino francês foi comandado por seu filho, Carlos V que enfrentou sucessivas revoltas camponesas, as mais famosas conhecidas como "Jacqueries", e também urbanas. O rei não reconheceu os acordos anteriores e de 1360 a 1380 obteve vitórias significativas sobre os ingleses retomando grande parte do território perdido. As vitórias desse rei, fruto da reorganização militar, fortaleceram a idéia de centralização política, possibilitou submeter a maior parte da nobreza, aumentar a arrecadação tributária e organizar o Estado com elementos oriundos da burguesia em cargos de confiança. As últimas décadas do século XIV e as décadas iniciais do século seguinte foram marcadas pelas disputas internas nos dois países, arrefecendo momentaneamente a guerra externa. No caso da Inglaterra ocorreram rebeliões camponesas lideradas por Wat Tyler, contra a servidão e posteriormente as disputas envolveram parte da nobreza, que lutou contra o rei, e culminou com a ascensão de Henrique de Lancaster ao trono em 1399, com o título de Henrique IV. Na França as lutas internas foram mais complexas e envolveram os interesses da região da Borgonha, antigo feudo poderoso, que lutou constantemente por seus interesses particulares. Em Considerando Carlos VI como incapaz, os Borguinhões pretenderam tomar o poder e aliaram-se aos ingleses. Ao lado da família real ficaram o irmão do rei, Luis de Orléans e Bernardo de Armagnac. Nesta guerra civil, destacaram-se João sem medo de Borgonha e o Delfim Carlos, que mesmo deserdado pelo pai manteve a liderança das tropas francesas contra os ingleses e mais tarde assumiria o trono como Carlos VII (1422). Os conflitos foram retomados desde 1413 por Henrique V, que sucedera o pai e procurou se aproveitar da guerra interna na França. A Batalha de Azincourt em 1415 representa o grande momento da nova ascensão inglesa que, vitoriosa, impôs o Tratado de Troyes, em 1420, aos franceses, que garantia à Inglaterra todo o norte do país, inclusive Paris e, o mais grave, destituía o Delfim Carlos, colocando-se Henrique V da Inglaterra como sucessor do trono francês. Para consolidar tal acordo, Henrique V casou-se com Catarina, filha do rei Carlos VI e, portanto, irmã do Delfim. Em 1422 os reis dos dois países morreram: Henrique V da Inglaterra e Carlos VI da França. Oficialmente o trono era herdado por Henrique VI, criança recém nascida, enquanto o Delfim Carlos viria a ser coroado apenas em 1429, em Reims, num momento onde a guerra tomou novo rumo, em grande parte atribuído a figura de Joana Dáarc, camponesa que liderou tropas do sul da França em apoio ao rei. Em 1429, Joana Dáarc auxilia Carlos VII a retomar a cidade de Orleãs, em seguida é presa e entregue aos ingleses para ser queimada como feiticeira. Em 1435, Carlos VII pacifica os borguinhões, retomando o controle sobre Paris. O rei modernizou o exército (utilizando, inclusive armas de fogo: a bombarda – ancestral do canhão). Em um ano o rei conquistou sessenta castelos em mãos dos ingleses. Em 1453, a Guerra chega ao fim com o reconhecimento inglês da vitória francesa. O fim da Guerra dos Cem Anos trouxe consigo disputas internas na Inglaterra. O rei Henrique VI era tido como figura política fraca e influenciável. Além de disputarem o poder, nobres mais tradicionais e nobres ligados aos negócios de criação de ovelhas disputavam o controle de terras. Como conseqüência se desenvolveu um conflito entre duas importantes famílias inglesas: os Lancaster (rosa vermelha em seu brasão) e os York (rosa branca). Esse conflito ficou conhecido como Guerra das Duas Rosas (1455-1485) envolveu toda a Inglaterra, que durante o período viu seu trono ser ocupado por três reis (Henrique VI apoiado pelos Lancaster) e Ricardo e Eduardo (ambos da Casa de York). O conflito enfraqueceu a nobreza e permitiu a implantação de uma monarquia centralizada, com a ascensão da dinastia Tudor, que, apoiada pela burguesia, nomeou Henrique VII rei da Inglaterra. "1 ___________________ 1 – Citação retirada de MORAES, José Geraldo. Caminho das Civilizações. São Paulo, Atual. 1994; Fontes: Crompton, Samuel Willard. As cem guerras que mudaram a história do mundo, Prestígio editorial, in: http://books.google.com.br/books?id=aIdxJLe3AMIC&pg=PA58&dq=guilherme+o+conquistador&lr=#PPP1,M1. Loyon, H. R. Diccionario da Idade Média, Jorge Zahar Editores, in: http://books.google.com.br/books?id=GW7rdO83gykC&pg=PA235&dq=Henrique+II+Inglaterra&lr=#PPP1,M1. Mello, Leonel Itaussu A. e Costa, Luís César A. 1985, História Antiga e Medieval: da comunidade primitiva ao Estado Moderno, Abril, São Paulo. Recco, Claudio B., A GUERRA DOS CEM ANOS, in: HISTORIANET Recco é formado em História pela USP e Colaborador do Caderno Fovest da Folha de São Paulo. Atlas da História do Mundo, publicação da Folha de São Paulo. História Geral, Nova Cultura, organização: Antonio Pedro Tota e Pedro Ivo de Assis Bastos. Netsaber: http://biografias.netsaber.com.br/ver_biografia_c_1230.html
Escrito por Prof. João Carlos às 21h51
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