História Moderna - A Monarquia Nacional na Inglaterra

 

 

 

Como na França, a Monarquia inglesa se consolidou no século XVI.

Durante o processo de consolidação da Monarquia inglesa podemos notar um processo bastante errático em que centralização e descentralização do poder são resultantes do fortalecimento do rei e sua luta com os barões de terra. Questões econômicas, religiosas e conflitos externos e internos também mediam esse processo.

 

Aqui um esboço do momento que se entende de 1066 até o fim da Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

 

 

Antecedentes:

 

A região da Inglaterra foi dominada, em 1066, pelos normandos liderados por Guilherme, o Bastardo. Guilherme era Duque da Normandia e como se relata havia recebido a promessa de herança da coroa inglesa, por parte do Rei saxão Eduardo (History Channel). Como o trono havia sido usurpado por Haroldo (filho do Conde Wessex, inimigo de Eduardo), Guilherme levou suas tropas (cerca de 7 mil homens para a Inglaterra).

A favor de Guilherme contou o fato de Haroldo ter que enfrentar os noruegueses, que atacavam o Norte. Os soldados de Haroldo antes da Batalha  (em Hastings) marcharam cerca de oitocentos quilômetros, em duas semanas. No total, calcula-se que cada lado perdeu cerca de dois mil soldados e a vitória de Guilherme levou à sua aclamação pelo povo anglo-saxão: agora como o Conquistador (Samuel Willard  Crompton).

Guilherme procurou estabelecer seu domínio na Inglaterra, sendo que sua principal medida foi:

 

-                               a distribuição de feudos diretamente aos barões, o que tornava estes barões seus vassalos diretos. Isto implicou um laço mais estreito de relação e, portanto, maior autoridade do “rei”.

 

Segundo Marc Bloch, o feudalismo na Inglaterra – pós Guilherme – se estruturou de forma diferente a Normandia (ocupada pelo mesmo grupo), visto que na Inglaterra, após a conquista seguiu-se um grupo importante de lavradores.

 

Entre, 1154 e 1189, Henrique II   deu continuidade a obra idealizada pelo avô, Guilherme, o Conquistador, mantendo a autoridade real. Estabeleceu domínios na França com o casamento realizado junto a nobre Leonor de Aquitânia.

 

- Lançou os primeiros impostos sobre a propriedade e renda; nomeou juízes para as províncias (os chamados sherif: ver Leonel Itaussu) e tornou mais eficientes os tribunais itinerantes. (H.R. Loyon)

 

Henrique II foi sucedido por Ricardo, Coração de Leão, rei das Cruzadas.

Dos 10 anos que governou, Ricardo ficou praticamente nove fora da Inglaterra, em combate. Entre os seus feitos estão a conquista do porto de Ascalon (perto de Gaza), que havia sido dominado por Saladino. Este porto foi reconquistado e destruído depois (em 1270) pelos islâmicos.

Ricardo, Coração de Leão também estabeleceu um armistício com Saladino (em 1192), o que permitiu que parte da Palestina voltasse às mãos dos católicos. (in: Notas do Editor, Obra: Cruzada no Reino do Paraíso; H. Rider Haggard; Geração Editorial).

 

Não obstante, a ausência do rei inglês em seus domínios levou os nobres-barões a tentarem recuperar a sua autonomia, beneficiados pelas pretensões de poder de seu irmão João (conhecido como João Sem Terra). João Sem Terra, cognome que recebeu por ser o mais novo filho de Henrique II (e, portanto, sem direito à sucessão) era o favorito de Henrique II e foi tornado por este senhor da Irlanda, possessão de onde logo foi expulso.

Depois, ainda com o auxílio de seu pai, João Sem Terra atacou possessões de Ricardo (a Aquitânia), sendo que no conflito faleceu Henrique II (em 1188. Vide biografia na netsaber).

 

Antes de assumir o trono em 1199, João foi regente na ausência de Ricardo Coração de Leão.

O reinado de João Sem Terra conviveu com rebeliões dos franceses na Normandia e em Anjou, que resultaram na perda destes territórios (em 1204).

Para equipar o exército e manter o poder do Estado aumentou os impostos (importante lembrar que João teve que reunir 150 mil marcos para pagar o resgate de Ricardo Coração de Leão, preso pelo rei do Sacro Império (Henrique VI)).

Por essa razão, nas crônicas é visto como inimigo do povo, contra qual teria lutado Hobin Wood.

Entre 1213-1215 abriu-se a crise entre os nobres-barões e João Sem-Terra, o que levou o rei a assinar, em 1215 (um ano antes de sua morte), a Magna Carta que restringia os poderes reais.



Escrito por Prof. João Carlos às 21h56
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História Moderna

 

Entre as prerrogativas da Magna Carta estavam:

a – o rei era obrigado a consultar os nobres para realizar a cobrança de impostos;

b – o rei estava impedido de apoderar-se de um feudo ou de aprisionar qualquer homem livre sem julgamento de seus pares;

 

Conforme a Magna Carta: “Nenhum homem livre será detido, aprisionado, ou privado de seus bens, ou posto fora da lei, ou exilado, ou prejudicado de algum modo (...) a não ser em virtude de um julgamento legal dos seus pares ou em virtude da lei do país” (Magna Carta, 15 de junho de 1215)

 

A autonomia dos nobres aumentou, ainda mais, no reinado de Henrique III.  Com o apoio de setores que residiam nas cidades, em 1264, os nobres obrigaram o rei a reconhecer a existência de um Parlamento, que na prática tinha o poder de aprovar ou rejeitar as leis do monarca.

 O Parlamento ficou dividido, ao fim do governo de Eduardo III (1327-1377) em duas câmaras: a dos Lordes (nomeados pelo rei) e a dos Comuns (escolhidos por setores menos poderosos da nobreza e dos grupos urbanos).

 

A autoridade real será restituída após o término da Guerra dos Cem Anos (1337-1453)

 

 

Guerra dos Cem Anos (1337-1453)

 

Antecedentes:

 

Dois pontos se destacam:

1º - Henrique II (1154-1189), da Inglaterra, casou-se com Leonor de Aquitânia (da França) e pela tradição se tornou vassalo do rei da França (Filipe Augusto) nos ducados da Guyenne e Gasconha.

A luta por essas regiões será motivo de conflitos políticos e militares entre ingleses e franceses. Para se ter idéia, a Guyenne e a Gasconha correspondiam a 90% do vinho importado consumido pelos ingleses (ver Itaussu).

 

2º – a disputa entre as duas monarquias pela região de Flandres, rico entreposto comercial, situado a nordeste da França, a qual estava subordinado politicamente.

Flandres era importante centro produtor de tecidos e consumia grande parte da lã produzida pela Inglaterra. Portanto, os comerciantes de Flandres se posicionavam a favor dos interesses ingleses e contra a ingerência política francesa na região.

 

A situação tornou-se crítica quando o Conde de Nevers, regente de Flandres desde 1322, prestou juramento de obediência ao seu suserano Filipe de Valois, decisão que poderia paralisar a economia flamenga, pois, com a morte de Carlos IV, 1328 (terceiro e último filho de Filipe IV, o Belo), o trono da França passou para um de seus sobrinhos, justamente Filipe de Valois, que adotou o nome de Filipe VI (1328 a 1350).

 

Instigado por Jacques Artervelde, rico mercador que já havia liderado uma rebelião na cidade flamenga de Gand contra os franceses, o rei da Inglaterra Eduardo III (1327 a 1377) reclamou para si a coroa francesa, alegando sua condição de neto (pelo lado materno) de Filipe, o Belo.

 

A Guerra


Os franceses acusavam os ingleses de desenvolverem uma política expansionista, percebida pelos interesses na Guyenne e em Flandres. Já os ingleses insistiam em seus legítimos direitos políticos e territoriais na França.
Em 1337 Felipe VI (de Valois), rei da França, atacou a Guyenne iniciando o conflito que duraria décadas e diversas gerações. Além disso exerceu intenso assédio ao litoral inglês durante meses, até ser derrotado em 1340.


Durante o reinado desses dois reis (Felipe VI e Eduardo III), as Batalhas de Crécy e de Calais (França), em 1346 e 1347 respectivamente, foram as mais importantes, ambas com vitórias inglesas, que garantiram a Eduardo III importantes posições no norte do país, mantendo o Canal da Mancha sob seu controle.

 

Para tanto o rei da Inglaterra contou com o apoio financeiro de grandes mercadores de Flandres e do duque da Bretanha, que se voltou contra o monarca francês. O avanço e a conquista inglesa só não foram maiores porque os dois países, como a maior parte da Europa, estavam sendo duramente atingidos pela peste negra, que foi responsável por interromper a guerra.



Escrito por Prof. João Carlos às 21h53
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HISTÓRIA MODERNA

O período seguinte da guerra foi comandado por Eduardo IV da Inglaterra, conhecido como "o príncipe negro" (por conta da cor de sua armadura), e por João II, conhecido como "o bom", que sucedera ao pai no comando do reino francês. Esse período foi caracterizado por sucessivas vitórias inglesas, contando com o apoio de muitos nobres locais, mais preocupados em preservar seus domínios do que com a lealdade devida ao rei da França, possibilitando o domínio de cerca de um terço do território francês nas regiões norte e oeste.

 

Em 1356, quando da batalha de Poitiers, o rei João II foi capturado e levado como prisioneiro para a Inglaterra, onde morreria oito anos depois, momento que representou o ápice das conquistas inglesas e, pelo contrário, o momento mais delicado para a França na guerra, forçando-a a assinar o Tratado de Brétigny (1360) que reconhecia o domínio inglês sobre as regiões conquistadas e devolvia os territórios tomados no início do conflito.

 

Após a morte de João II, o bom, o reino francês foi comandado por seu filho, Carlos V que enfrentou sucessivas revoltas camponesas, as mais famosas conhecidas como "Jacqueries", e também urbanas. O rei não reconheceu os acordos anteriores e de 1360 a 1380 obteve vitórias significativas sobre os ingleses retomando grande parte do território perdido. As vitórias desse rei, fruto da reorganização militar, fortaleceram a idéia de centralização política, possibilitou submeter a maior parte da nobreza, aumentar a arrecadação tributária e organizar o Estado com elementos oriundos da burguesia em cargos de confiança.

 

As últimas décadas do século XIV e as décadas iniciais do século seguinte foram marcadas pelas disputas internas nos dois países, arrefecendo momentaneamente a guerra externa. No caso da Inglaterra ocorreram rebeliões camponesas lideradas por Wat Tyler, contra a servidão e posteriormente as disputas envolveram parte da nobreza, que lutou contra o rei, e culminou com a ascensão de Henrique de Lancaster ao trono em 1399, com o título de Henrique IV.

 

Na França as lutas internas foram mais complexas e envolveram os interesses da região da Borgonha, antigo feudo poderoso, que lutou constantemente por seus interesses particulares. Em Considerando Carlos VI como incapaz, os Borguinhões pretenderam tomar o poder e aliaram-se aos ingleses. Ao lado da família real ficaram o irmão do rei, Luis de Orléans e Bernardo de Armagnac. Nesta guerra civil, destacaram-se João sem medo de Borgonha e o Delfim Carlos, que mesmo deserdado pelo pai manteve a liderança das tropas francesas contra os ingleses e mais tarde assumiria o trono como Carlos VII (1422).

 

Os conflitos foram retomados desde 1413 por Henrique V, que sucedera o pai e procurou se aproveitar da guerra interna na França. A Batalha de Azincourt em 1415 representa o grande momento da nova ascensão inglesa que, vitoriosa, impôs o Tratado de Troyes, em 1420, aos franceses, que garantia à Inglaterra todo o norte do país, inclusive Paris e, o mais grave, destituía o Delfim Carlos, colocando-se Henrique V da Inglaterra como sucessor do trono francês.

 

Para consolidar tal acordo, Henrique V casou-se com Catarina, filha do rei Carlos VI e, portanto, irmã do Delfim.

 

 

Em 1422 os reis dos dois países morreram: Henrique V da Inglaterra e Carlos VI da França.

 

Oficialmente o trono era herdado por Henrique VI, criança recém nascida, enquanto o Delfim Carlos viria a ser coroado apenas em 1429, em Reims, num momento onde a guerra tomou novo rumo, em grande parte atribuído a figura de Joana Dáarc, camponesa que liderou tropas do sul da França em apoio ao rei.

 

Em 1429, Joana Dáarc  auxilia Carlos VII a retomar a cidade de Orleãs, em seguida é presa e entregue aos ingleses para ser queimada como feiticeira.

 

Em 1435, Carlos VII pacifica os borguinhões, retomando o controle sobre Paris.

 

O rei modernizou o exército (utilizando, inclusive armas de fogo: a bombarda – ancestral do canhão). Em um ano o rei conquistou sessenta castelos em mãos dos ingleses.

 

Em 1453, a Guerra chega ao fim com o reconhecimento inglês da vitória francesa.

 

O fim da Guerra dos Cem Anos trouxe consigo disputas internas na Inglaterra.

 

O rei Henrique VI era tido como figura política fraca e influenciável. Além de disputarem o poder, nobres mais tradicionais e nobres ligados aos negócios de criação de ovelhas disputavam o controle de terras.

Como conseqüência se desenvolveu um conflito entre duas importantes famílias inglesas: os Lancaster (rosa vermelha em seu brasão) e os York (rosa branca).

 

Esse conflito ficou conhecido como Guerra das Duas Rosas (1455-1485) envolveu toda a Inglaterra, que durante o período viu seu trono ser ocupado por três reis (Henrique VI apoiado pelos Lancaster) e Ricardo e Eduardo (ambos da Casa de York).

 

O conflito enfraqueceu a nobreza e permitiu a implantação de uma monarquia centralizada, com a ascensão da dinastia Tudor, que, apoiada pela burguesia, nomeou Henrique VII rei da Inglaterra. "1

 

 

___________________

1 – Citação retirada de MORAES, José Geraldo. Caminho das Civilizações. São Paulo, Atual. 1994;

 

Fontes:

 

Crompton, Samuel Willard. As cem guerras que mudaram a história do mundo, Prestígio editorial, in: http://books.google.com.br/books?id=aIdxJLe3AMIC&pg=PA58&dq=guilherme+o+conquistador&lr=#PPP1,M1.

 

Loyon, H. R. Diccionario da Idade Média, Jorge Zahar Editores, in: http://books.google.com.br/books?id=GW7rdO83gykC&pg=PA235&dq=Henrique+II+Inglaterra&lr=#PPP1,M1.

 

Mello, Leonel Itaussu A. e Costa, Luís César A. 1985, História Antiga e Medieval: da comunidade primitiva ao Estado Moderno, Abril, São Paulo.

 

Recco, Claudio B., A GUERRA DOS CEM ANOS, in: HISTORIANET
Recco é formado em História pela USP e Colaborador do Caderno Fovest da Folha de São Paulo.

 

 

Atlas da História do Mundo, publicação da Folha de São Paulo.

História Geral, Nova Cultura, organização: Antonio Pedro Tota e Pedro Ivo de Assis Bastos.

Netsaber: http://biografias.netsaber.com.br/ver_biografia_c_1230.html



Escrito por Prof. João Carlos às 21h51
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