História Moderna - Transição Feudalismo-Capitalismo
RESENHA: Capítulo – Transição Feudalismo-Capitalismo: expropriação e acumulação Neste capítulo os autores Marques, A, Berutti, F. e Faria, R. procuram abordar o período denominado de Transição Feudalismo-Capitalismo. Correspondendo ao momento histórico situado entre os séculos XV e XVIII, o período de Transição do Feudalismo para o Capitalismo é caracterizado pelo desenvolvimento da assim chamada ACUMULAÇÃO PRIMITIVA DE CAPITAL. Em seu interior se desenvolvem importantes e variadas transformações. Entre estas transformações se destacam, principalmente na Inglaterra: 1ª – NA AGRICULTURA: a expropriação dos pequenos produtores de suas terras e a conversão das terras agricultáveis em terras de pastagens. Tal processo foi efetivado a partir das leis de cercamentos (enclosures) e tiveram como resultado final a apropriação das terras camponesas comunais, por segmentos da nobreza e principalmente por parte da burguesia, que intensificou a criação de ovelhas, fornecedoras de lã para a indústria têxtil inglesa. Segundo Van Bath e Thomas More a ovelha se tornou na Inglaterra um animal extremamente voraz, capaz de devorar homens, casas e aldeias. Assim, entre 1086 e 1900 “desapareceram na Inglaterra mais de 1000 aldeias, a maioria das quais nos séculos XIV e XV”. (Van Bath, 1984, apud. Marques, A, Berutti, F. e Faria, R. pág. 40) O desaparecimento destas aldeias culminou na transformação das terras comunais (common fields) - campo abertos (open fields) – em áreas de pastagens, justamente no momento em que o preço dos alimentos caia e, paralelamente, o preço da lã subia. Dessa verdadeira Revolução dos ricos contra os pobres – como indica Karl Polanyi – muitos foram os beneficiários: a média nobreza rural (gentry); a burguesia e também “os santos abades”, como acrescenta Thomas More. De fato, a todos os pontos do reino, onde se recolhe a lã mais fina e mais preciosa, acorrem, em disputa do terreno, os nobres, os ricos e até os santos abades. (Thomas More, A Utopia) O resultado, foi: De um lado, a venda a preços irrisórios das terras daqueles que ainda conseguiram vendê-las; De outro, a perda da terra e da casa, destinando à sociedade uma gama de famintos e miseráveis, que se converteram ora à mendicância, ora à vagabundagem ou ao roubo. Como acrescenta Karl Polanyi, embora em algumas regiões os cercamentos proporcionaram empregos àqueles que ficaram sem suas terras (produção caseira), seu efeito maior foi a degradação de toda uma cultura, leis e costumes, pois o processo não se inseria no interior de uma economia de mercado já consolidada a ponto de sinalizar simplesmente para o desenvolvimento do progresso. Diante da forma violenta que o processo de cercamentos se estabeleceu, o Estado adotou uma dúbia atuação. De olho na questão externa, em 1517, o governo inglês “interveio, nomeando uma comissão encarregada de investigar as causas do despovoamento das zonas rurais a partir de 1488.” (Van Bath, 1984, apud. Marques, A. et, all. pág. 40) A partir da investigação obrigou-se a reconversão de terras, mas poucas aldeias constavam. O temor governamental era que a nação se enfraquecesse diante de um dos seus maiores adversários: a França. Do ângulo interno, ou seja, das questões e tensões sociais, a atuação do Estado foi incisiva a desenvolver as leis sanguinárias, estabelecendo punições severas para a mendicância, a vagabundagem e o roubo. Conforme relata Marx, as leis sanguinárias foram essenciais para disciplinar a massa, que passava a constituir-se no proletariado, na medida que tratava a mendicância, a vagabundagem e o roubo como delitos voluntários e não como possíveis necessidades daqueles que viam os laços feudais e laços com a terra se dissolverem sem poder se adaptar, rapidamente, às novas condições que lhes eram impostas.
Escrito por Prof. João Carlos às 22h08
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