Anotações para AC - Crise do Feudalismo; in: História Moderna através de textos
A CRISE DO FEUDALISMO Há um consenso em relacionar a Crise do Sistema Feudal ao Desenvolvimento do Comércio na Europa. O advento que marca a retomada das relações comerciais na Europa são as Cruzadas. Mas, é importante notar que as CRUZADAS em si já denotam uma limitação no funcionamento do Sistema Feudal, isto porque quando foram convocadas em 1095 – pelo Papa Urbano II – a Europa estava tomada por movimentos de banditismo, realizado por nobres sem condição de obter terras. Assim, a retomada do comércio é acelerador e conseqüência de uma crise em marcha. Os textos de Perry Anderson e Giuliano Conte (in: História Moderna através de textos) procuram abordar de forma mais minuciosa a Crise do Sistema Feudal. AS CRUZADAS Em 1095, os movimentos de banditismo, formados por nobres sem terra, assolavam a Europa. Havia vários homens sem senhor, dedicando-se à mendicância, à vagabundagem ou mesmo ao roubo. Preocupado com a situação o Papa Urbano II, conclamou – a partir de Clermont, na França, a população a tomar as terras dos infiéis (islâmicos ou muçulmanos), numa Cruzada religiosa. “Deixai os que outrora estavam a se baterem, impiedosamente contra os fiéis, em guerras particulares, lutarem contra os infiéis... Deixai os que até aqui foram ladrões, tornarem-se soldados. Deixai aqueles que outrora se bateram contra seus irmãos e parentes, lutarem agora contra os bárbaros como devem. Deixai os que outrora foram mercenários, a baixos salários receberem agora a recompensa eterna. Uma vez que a terra que vós habitais, fechada por todos os lados por mar e circundada por picos e montanhas, é demasiadamente pequena para vossa grande população: a sua riqueza não abunda, mal fornece o alimento necessário aos seus cultivadores ... Tomai o caminho do Santo Sepulcro; arrebatai aquela terra à raça perversa e submetei-a a vós mesmos ...” (Huberman, Leo, 1983, apud. Itaussu, 1985) Iniciavam-se, assim, as Cruzadas do Ocidente e do Oriente que durariam de 1096 a 1270. Foram, no total, um conjunto de oito (8) grandes Cruzadas do Oriente, que envolveram nobres, clérigos, servos e crianças contra os islâmicos. ISLAMISMO A palavra Islã significa, em árabe, “submissão”. O islamismo foi fundado no ano de 622, na região da Arábia, atual Arábia Saudita. Seu fundador, o profeta Maomé, reuniu a base da fé islâmica num conjunto de versos conhecido como Corão - segundo ele, as escrituras foram reveladas a ele por Deus por intermédio do Anjo Gabriel. Assim como as duas outras grandes religiões monoteístas, o cristianismo e o judaísmo, as raízes de Maomé estão ligadas ao profeta e patriarca Abraão. Maomé seria seu descendente. Abraão construiu a Caaba, em Meca, principal local sagrado do islamismo. Para os muçulmanos, o islamismo é a restauração da fé de Abraão. Ainda no início da formação do Corão, Maomé e um ainda pequeno grupo de seguidores foram perseguidos por grupos rivais e deixaram a cidade de Meca rumo a Medina. A migração, conhecida como Hégira, dá início ao calendário muçulmano. Em Medina, a palavra de Deus revelada a Maomé conquistou adeptos em ritmo acelerado. O profeta retornou a Meca anos depois, perdoou os inimigos e iniciou a consolidação da religião islâmica. Quando ele morreu, aos 63 anos, a maior parte da Arábia já era muçulmana. (Veja Online) Os cinco pilares do IslamismoOs cinco pilares do islamismo formam a estrutura de vida do seguidor da religião. São eles: • Pronunciar a declaração de fé intitulada "chahada": "Não há outra divindade além de Deus e Mohammad é seu Mensageiro". • Realizar as cinco orações obrigatórias durante cada dia, no ritual chamado "salat". As orações servem como uma ligação direta entre o muçulmano e Deus. Como não há autoridades hierárquicas, como padres ou pastores, um membro da comunidade com grande conhecimento do Corão dirige as orações. Os versos são recitados em árabe, e as súplicas pessoais são feitas no idioma de escolha do muçulmano. As orações são feitas no amanhecer, ao meio-dia, no meio da tarde, no cair da noite e à noite. Não é obrigatório orar na mesquita - o ritual pode ser cumprido em qualquer lugar. • Fazer o que puder para ajudar quem precisa, no chamado "zakat". A caridade é uma obrigação do muçulmano, mas deve ser voluntária e, de preferência, em segredo. O muçulmano deve doar uma parte de sua riqueza anualmente, uma forma de mostrar que a prosperidade não é da pessoa - a riqueza é originária de Deus e retorna para Deus. • Jejuar durante o mês sagrado do Ramadã, todos os anos. Nesse período, todos os muçulmanos devem permanecer em jejum do amanhecer ao anoitecer, abstendo-se também de bebida e sexo. As exceções são os doentes, idosos, mulheres grávidas ou pessoas com algum tipo de incapacidade física - eles podem fazer o jejum em outra época do ano ou alimentar uma pessoa necessitada para cada dia que o jejum foi quebrado. O muçulmano que cumpre o jejum se purifica ao vivenciar a experiência de quem passa fome. No fim do Ramadã, o muçulmano celebra o Eid-al-Fith, uma das duas principais festas do calendário islâmico. • Realizar a peregrinação a Meca, o "haj". Todos os muçulmanos com saúde e condição financeira favorável deve realizar a peregrinação pelo menos uma vez na vida. Todos os anos, cerca de 2 milhões de pessoas de todas as partes do mundo se reúnem em Meca, sempre com vestimentas simples - para eliminar as diferenças de classe e cultura. No fim da peregrinação, há o festival de Eid-Al-Adha, com orações e troca de presentes - a segunda festa mais importante. (Veja Online) GRUPOS ISLÂMICOSOs muçulmanos estão divididos entre sunitas, o grupo majoritário, e xiitas, a minoria dentro da religião. Os sunitas formam o tronco principal da religião, ligado à interpretação mais aceita da história islâmica, e reúnem cerca de 90% dos muçulmanos no mundo. A diferença em relação ao Islã xiita é a aceitação à seqüência de califas da história islâmica. Sem características comuns entre si, os muçulmanos sunitas incluem praticantes da religião em todas as partes do mundo e de todas as tendências, dos mais conservadores até os moderados e seculares. Os xiitas, que reúnem cerca de 10% dos muçulmanos, surgiram como movimento político de apoio a Ali e acabaram formando uma ramificação da religião islâmica. A dissidência surgiu quando os xiitas se uniram para apoiar Ali, primo de Maomé, como o herdeiro legítimo do poder no Islã após a morte do profeta, com base na suposta declaração de que ele era seu sucessor ideal. A evolução para uma fórmula religiosa diferente teria começado com o martírio de Husain, o filho mais novo de Ali, no ano de 680, em Karbala (no atual Iraque). Os clérigos xiitas são os mulás e mujtahids, mas o clero não tem uma hierarquia formal. Os xiitas foram os responsáveis pela revolução islâmica do Irã, em 1979, e têm graves divergências com setores do islamismo sunita.
Escrito por Prof. João Carlos às 11h58
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