5 anos dos atentados de 11 de setembro

 

 

 

Após cinco anos dos atentados de 11 de setembro, a Revista Veja (06/09/2006) apresenta 50 transformações ocorridas no mundo em função da luta contra o terror. Para sermos sucintos  mencionaremos apenas quatro dessas transformações:

1ª – os Estados Unidos – a partir da Doutrina Bush – assumiram definitivamente uma postura imperialista diante do mundo. Isso significa que as relações americanas com os demais países se tornaram mais duras e – em nome ao combate ao terror – os Estados Unidos (EUA) acreditam ter o direito de atacar os países que se coloquem na condição de eventuais inimigos;

 

2ª – o terrorismo – com base na Al Qaeda – ganhou uma nova dimensão, utilizando-se de mecanismos mais sofisticados, colocando em risco de grande destruição os países ocidentais que se mostrem como ameação ao fundamentalismo islâmico.  Basta lembrar os atentados ocorridos na Espanha e em Londres, Inglaterra.

 

3ª – houve uma disseminação do “culto ao mártir” e outros grupos terroristas contando com o apoio de Irã e Síria - como por exemplo o Hizbollah -  incentivam o desenvolvimento de novos ataques a Israel e aliados, tornando as relações no Oriente Médio e em outros continentes mais acirradas;

 

4ª – se desencadeou, nos Estados Unidos e em outros países, um conjunto de medidas que têm cerceado o direito dos cidadãos e colocado em risco a sua privacidade. Dessa forma, grampear telefones, rastrear contas bancárias sem autorização e estabelecer proibições em aeroportos se tornaram medidas consideradas legitimas para combater  o terrorismo. 

 

Resta-nos, no entanto, questionar o que vem ocorrendo no mundo e indicar a reflexão: é justificável, em nome do combater ao terror interferir nos direitos à liberdade e à privacidade?

Escrito por João Carlos às 22h44
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Texto sobre Terrorismo - UOL educação

Em 11 de setembro de 2001, a cidade de Nova York foi atingida pelo atentado terrorista mais ousado até agora cometido. Aviões de carreira foram seqüestrados e utilizados como mísseis para derrubar as torres gêmeas do World Trade Center, provocando um resultado catastrófico.

Por trás do ataque, que visava desafiar o poderio internacional norte-americano e demonstrar a vulnerabilidade dos Estados Unidos, encontrava-se uma organização islâmica, a Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden, que continua foragido.

As dimensões do atentado e suas conseqüências demonstraram que as ações terroristas se tornavam, em nível mundial, um dos principais problemas políticos e de segurança pública do século 21.

Por hipótese, os mais variados grupos que podem recorrer a essa prática - o terrorismo - não teriam dificuldade de acesso às mais sofisticadas armas de destruição em massa, bem como poderiam se utilizar de uma implacável criatividade para atingir seus objetivos.

Provocar pânico
Quais são, porém, esses objetivos? O que é o terrorismo, afinal? Quando essa prática surgiu? A resposta dessas questões pode comportar algumas surpresas. A primeira delas é que a origem mais remota desse problema contemporâneo pode ser encontrada mais de dois mil anos atrás, no mesmo lugar onde atualmente ele ainda é tão comum: o Oriente Médio. Antes de falar disso, porém, vale a pena especificar o conceito da expressão, embora ele seja polêmico.

Por terrorismo, em geral, entende-se o uso sistemático da violência para intimidar um governo ou uma população, de modo a alcançar um objetivo político, ideológico ou religioso. Ou seja, o ato terrorista não visa a atingir somente suas vítimas diretas, mas disseminar o medo, o terror, na sociedade a que elas pertencem.

Nesse sentido, o terrorismo ataca indiscriminadamente, atingindo principalmente alvos civis, o que é a prova mais evidente da inexistência de valores éticos e de reconhecimento pela vida humana nos métodos terroristas, independentemente dos fins a que eles se propõem.

Por isso, o termo passou a designar a violência político-religiosa imoral e injustificada. Tanto que os próprios terroristas - que não pertencem a forças armadas reconhecidas e legais - não se reconhecem enquanto tal. Consideram-se guerrilheiros, rebeldes, revolucionários, separatistas, enfim, qualquer outra palavra que amenize o significado real de suas ações.

Terror à francesa
Historicamente, os métodos terroristas foram utilizados tanto por organizações de esquerda quanto de direita, por grupos nacionalistas, religiosos, revolucionários e até mesmo por governos constituídos. Nesse sentido, aliás, convém lembrar que a expressão "terror" teve seu primeiro uso no âmbito da política durante a ditadura de Robespierre e Saint-Just, na Revolução Francesa.

O Terror, então, era um instrumento de emergência a que o governo revolucionário recorreu para manter-se no poder. Enquanto governo estabelecido, os franceses mencionados não foram os únicos a usá-lo. Os bolcheviques também o empregaram na Rússia após a Revolução de 1917, da mesma maneira que os fascistas e os nazistas, respectivamente na Itália e na Alemanha, nos anos 1930. Assim também, a ditadura militar brasileira, em especial entre 1968 e 1977.

O terrorismo, entretanto, costuma estar mais identificado às práticas a que recorrem os grupos que visam a combater um governo estabelecido. Sua forma de aplicação clássica é o atentado político que desencadeia uma luta e abre caminho para a conquista do poder.

Abaixo o imperialismo romano
O grupo mais antigo a se utilizar desse método foram os zelotes, uma seita e partido político judaico, que desencadeou uma luta contra o poder romano na Judéia, na época do imperador Tito (79-81d.C.). Entre outras ações, os zelotes assassinavam judeus ricos que colaboravam com Roma.

No entanto, em sentido mais estrito e já com esse nome, as táticas terroristas passaram a ser empregadas no século 19, com a fundação da Irish Republican Brotherhood em 1867, com que os republicanos irlandeses passaram a combater o domínio inglês sobre seu território. Essa irmandade ("brotherhood") foi a precursora do IRA - Irish Republican Army (Exército Republicano Irlandês) que continuou a utilizar-se do terrorismo até o final do século 20.

É provável que os irlandeses tenham exportado suas táticas para as organizações revolucionárias anarquistas russas no final do século 19. Desses grupos, o Narodnaia Volia ("Vontade do Povo") promoveu o atentado mais notório de sua época: o assassinato do czar (imperador) Alexandre 2o, em 1881.

Bombas e prêmios
Datam desse mesmo período, as primeiras explosões a dinamite em locais públicos perpetrados pela organização anarquista Bandera Negra, da Catalunha (Espanha). Esse tipo de atentado passou a se repetir, desde então, tanto na Europa como nos Estados Unidos. Nem por isso, os assassinatos foram deixados de lado. O estopim da Primeira Guerra Mundial, por exemplo, foi o assassinato do arquiduque da Áustria-Hungria Francisco Ferdinando em 28 de junho de 1914, em Sarajevo, na Bósnia.

Para finalizar, convém lembrar que políticos que recorreram ao terrorismo, muitas vezes, abandonaram essa prática e aderiram a outros métodos de luta, mais legítimos e eficientes para sua causa, tornando-se homens de Estado respeitáveis e chegando a receber o Prêmio Nobel da Paz. São os casos, entre outros, do líder negro sul-africano Nelson Mandela ou do palestino Yasser Arafat.

*Antonio Carlos Olivieri é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação.



Escrito por João Carlos às 22h41
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