|
CHOQUE NO ORIENTE MÉDIO
Olmert diz que não fará concessões se grupo não renunciar ao terror; UE discute suspender ajuda
Israel pede que mundo ignore o Hamas
DA REDAÇÃO
O premiê interino de Israel, Ehud Olmert, afirmou ontem que seu país boicotaria um governo palestino que incluísse o grupo terrorista Hamas e exortou os líderes estrangeiros a fazerem o mesmo até que o grupo aceite os termos exigidos por Israel. "Israel não irá manter nenhum contato com os palestinos" a não ser que o Hamas "renuncie ao terror", reconheça o direito de existência do Estado de Israel e aceite os acordos que os líderes palestinos assinaram com Israel, disse. Ele afirmou ter transmitido essa mensagem ao premiê britânico, Tony Blair, ao presidente francês, Jacques Chirac, ao presidente egípcio, Hosni Mubarak, ao rei Abdullah, da Jordânia, e ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan. "Esses princípios são aceitáveis para a comunidade internacional. Não pretendo fazer nenhuma concessão a esse respeito", disse. Olmert também disse que deixará de repassar fundos de milhões de dólares em caso de um governo do Hamas.
Suspensão de ajuda Mas o ministro da Defesa israelense, Shaul Mofaz, disse que o grupo islâmico está "tendo responsabilidade" e provavelmente deve continuar a respeitar o cessar-fogo negociado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e a reprimir os ataques contra Israel. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que iniciou ontem uma visita ao Oriente Médio, disse em Jerusalém, após encontro com Olmert, que a "ANP tal como está [liderada pelo Hamas] não pode ser apoiada diretamente pela União Européia", a não ser que renuncie à violência e reconheça a existência do Estado de Israel. Ela também afirmou que não deve se encontrar com líderes do Hamas, mas, sim, com o presidente Mahmoud Abbas, membro do Fatah, em Ramallah. A chanceler é a primeira líder da UE a visitar a região desde as eleições parlamentares palestinas, na última quarta. Segundo o resultado final, o Hamas obteve uma vitória esmagadora sobre o Fatah, obtendo 74 das 132 cadeiras do Parlamento, contra 45 do Fatah. Hoje, os ministros do Exterior da UE discutem se suspendem ou não a ajuda financeira ao governo palestino liderado pelo Hamas, que, só neste ano, deveria chegar a US$ 304 milhões (R$ 673 milhões). A organização é a maior financiadora da ANP, cujo Orçamento anual é de US$ 2 bilhões -metade dele vem de doações. Ontem, na mesma linha, o líder da maioria republicana no Senado norte-americano, Bill Frist, afirmou à rede NBC que "o Congresso dos EUA não dará dinheiro a um governo que apóia o terrorismo, que se recusa a desarmar suas milícias e que tem como meta a destruição de Israel". Em entrevista à "Newsweek", o premiê egípcio, Ahmed Nazif, disse que um governo liderado pelo Hamas deveria respeitar os tratados de paz que os líderes palestinos negociaram com Israel. "A primeira coisa é assegurar que eles trabalharão dentro das regras: os acordos de Oslo [tratado de paz que previu a criação da ANP, assinado em 1993], o "mapa do caminho", a idéia de dois Estados vivendo em paz", disse. Nazif também disse que deveria ser dada uma chance ao Hamas de mostrar suas intenções. "É importante respeitar a vontade do povo palestino e dar uma chance ao novo governo de mostrar sua natureza, suas intenções e também para abrir alguns canais". Em entrevista à CNN, um dos líderes do Hamas, Mahmoud al Zahar, sugeriu que a vitória nas eleições pouco muda na política do Hamas. Indagado se o grupo iria aceitar o direito de Israel de existir, respondeu: "A pergunta deveria ser respondida por Israel, que nos aceita apenas como minoria, e não como os donos da terra". Zahar condicionou a convivência com Israel à devolução dos prisioneiros palestinos e a retomada das fronteiras palestinas de antes da guerra de 1967.
Com agências internacionais |