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09/09/2005 - 18h48
Documento da Fema prova que Washington conhecia risco do Katrina

WASHINGTON (AFP) - Um milhão de evacuados, de 300.000 a 350.000 pessoas isoladas pelas águas: estes são alguns dos dados do relatório da Agência Federal de Gerenciamento de Crises (Fema), de 2004, divulgado nesta sexta-feira, que mostra que Washington tinha uma clara idéia do impacto que um poderoso furacão teria sobre Nova Orleans.

 

O documento da Fema divulgado hoje pela oposição democrata explica que um furacão de categoria 3, 4 ou 5, proveniente do sul-sudeste de Louisiana (sul), tinha todas as probabilidades de "provocar uma tragédia que o estado não poderia administrar sem uma ajuda em massa dos estados vizinhos e do Governo federal".

Entre os problemas antecipados, as autoridades da Fema destacavam "um milhão de pessoas evacuadas de Nova Orleans. Esses, vão se amontoar em refúgios na Louisiana e nos estados adjacentes", anunciavam.

"O aumento do nível das águas devido ao furacão pode bloquear as principais vias e isolar de 300.000 e 350.000 pessoas em zonas inundadas. Um aumento do nível da água superior aos 6 metros pode alagar os diques de proteção (ao norte de Nova Orleans). Mais de 518 quilômetros quadrados de zonas urbanas podem ficar inundados", segundo os cálculos da Fema.

"Drenar Nova Orleans poderá levar várias semanas (...), as operações de resgate serão difíceis, porque uma grande parte da zona só ficará acessível por barco ou helicóptero (...), os hospitais ficarão lotados de pacientes e os geradores de emergência vão entrar em pane ou ficar sem combustível antes que os pacientes possam ser transferidos para outro lado".

Diante da precisão destas previsões, a comissão sobre reforma governamental da Câmara de Representantes exigiu explicações ao secretário de Segurança Interior, Michael Chertoff, em carta divulgada pelo democrata Henry Waxman.

Escrito por João Carlos às 23h08
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Katrina e suas conseqüências em números

WASHINGTON, 9 set (AFP) - O furacão Katrina, que no dia 29 de agosto passado atingiu três estados do sul dos Estados Unidos, foi considerado a maior tragédia natural da história do país. Segue um quadro com o resumo,em números.

LEVANTAMENTO DO NÚMERO
DE VÍTIMAS


- De acordo com a contagem oficial provisória, 277 pessoas morreram: 152 no Mississipi, 7 na Flórida e 118 na Louisiana. No entanto, o recolhimento das vítimas está apenas começando e o estado da Louisiana já recebeu 25.000 sacos para embalar os corpos.

- Pelo menos 253.000 pessoas estão em alojamentos em 18 estados e Washington, segundo o departamento de Segurança Interna. Mas os relatórios são divergentes: apenas o estado da Louisiana afirma ter 110.000 pessoas desabrigadas.

- Mais de um milhão de habitantes da Louisiana podem ter sido desabrigados pela tragédia.

- 400.000 famílias se apresentaram à Agência Federal de socorro de emergência para exigir assistência, informou nesta quinta-feira o presidente George W. Bush.

BALANÇO ECONÔMICO - O Katrina atingiu uma área de 235.000 km2, quase o equivalente ao território da Grã-Bretanha. No Mississippi, pelo menos 50 km da costa foram devastados. Em Nova Orleans, 60% da cidade continuam inundados.

- O furacão pode tirar entre 0,5% e 1% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no segundo semestre de 2005, segundo o relatório do Congresso americano. Além disso, poderá deixar 400.000 trabalhadores sem emprego.

- O custo dos danos será maior que o previsto e deve chegar a 125 bilhões de dólares, segundo a sociedade americana Risk Management Solutions (RMS).

- Os três estados atingidos pelo furacão (Louisiana, Mississippi e Alabama) representam 3% do PIB dos Estados Unidos, segundo o economista Ethan Harris da Lehman Brothers.


Escrito por João Carlos às 23h05
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OS SEGUROS E A RECONSTRUÇÃO

- A quantia da ajuda de emergência aprovada pelo Congresso americano desde a catástrofe até a data é de 62,3 bilhões de dólares. A Casa Branca prevê um déficit de 333 bilhões de dólares (2,7% do PIB) para o ano fiscal em curso, por causa desta catástrofe.

- Os Estados Unidos já aceitaram um bilhão de dólares em ajuda material e financeira de cerca de 45 países, segundo o Departamento de Estado.

- Pelo menos 587 milhões de dólares já foram prometidos por particulares e empresas para ajudar as vítimas da catástrofe, segundo o jornal Chronicle of Philantropy, dedicado a assuntos relacionados à caridade.

- Cerca de 63.000 militares foram mobilizados nas zonas afetadas, cerca de 45.000 Guardas Nacionais, e 18.000 militares ativos.

- As refinarias que ainda estão inativas representam de 4% a 5% da produção total dos Estados Unidos, segundo o secretário de Energia, Samuel Bodman.

- Os trabalhos para a drenagem das águas de Nova Orleans podem levar de 36 a 80 dias, segundo o exército americano

Escrito por João Carlos às 23h05
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O Presidente Lula em seu discurso, no 07 de setembro, procurou apresentar dados que enfatizassem o grande desempenho sócio-econômico de seu governo. Por outro lado, reafirmou ou seu desejo de que as denúncias, até então apresentadas, sejam apuradas e os culpados condenados, "doa a quem doer".

O que o Presidente não disse, mas que os dados da ONU retratam é que, apesar do Brasil ter tido uma leve melhora no índice do IDH (índice do desenvolvimento humano) continuamos muito atrás de países vizinhos como o Uruguai, o Chile ou mesmo a Argentina (em crise há pelo menos uma década).

Só para lembrar, o Brasil está entre os países que possuem a pior distribuição de renda do mundo. Para se ter uma idéia, os 10% mais ricos "abocanham" 47% da riqueza gerada no país, enquanto os 10% mais pobres,  "beliscam" (beslicar talvez seja exagero) apenas 0,7% da mesma riqueza. Portanto, é difícil ver os grandes frutos da política social do Presidente Lula.

Quanto à crise, quero lembrar que o termo "doa a quem doer" foi muito utilizado pelo ex-Presidente Fernando Collor de Mello. Parece aque depois de se comparar a J.K., a Getúlio Vargas e a Jânio Quadros, Lula, inconscientemente, busca algum paralelo com Collor de Mello.

Será apenas uma ironia histórica?

Ver cobertura do discurso do Presidente abaixo:



Escrito por João Carlos às 00h13
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Lula diz que turbulências políticas não vão tirar o governo do seu rumo

da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a abordar a crise política nesta quarta-feira, feriado da Independência, durante um aguardado pronunciamento em cadeia de rádio e televisão. Citando dados econômicos positivos, o presidente reafirmou que turbulências políticas não vão tirar o rumo de seu governo e que não permitirá que coloquem a economia do país em risco.

"Não podemos, de modo algum, é permitir que essa crise política seja manipulada por interesses menores e se alastre artificialmente, contaminando de modo abusivo e desnecessário a vida nacional. Por isso, faço questão de tranqüilizar as pessoas de bem, e advertir aos mal intencionados, que as turbulências políticas não vão tirar o governo do seu rumo. A política econômica será mantida, a política social continuará sendo ampliada, a política externa seguirá seu curso e a vigilância ética será redobrada", disse.

Mais enfático do que em seu discurso anterior --o de abertura da reunião ministerial no dia 12 de agosto--, o presidente repetiu de forma mais articulada o que tem dito em seus discursos de improviso, argumentando que a crise política será vencida com a punição dos culpados.

"Digo a vocês com toda a convicção: da mesma forma que soubemos vencer o desafio da crise econômica, e estamos vencendo o desafio da dívida social, saberemos superar com coragem e serenidade as atuais turbulências políticas. A crise política também será vencida, pelo Congresso, pelo governo e pelo povo brasileiro. Será vencida com a apuração cabal de todas as denúncias e com a punição rigorosa dos culpados. Nem eu nem vocês admitiremos qualquer contemporização, nenhum acordo subalterno. Doa a quem doer, sejam amigos ou adversários".

O presidente mencionou ainda os trabalhos da Polícia Federal, da Receita Federal, da CGU (Controladoria Geral da União) e das CPIs que estão em funcionamento no Congresso.

"O fundamental é que a verdade prevaleça e que não haja impunidade. Que as CPIs apurem, que a Polícia Federal investigue, que o Ministério Público denuncie, e que a justiça, soberana, julgue".

No pronunciamento que durou cerca de seis minutos, Lula lembrou que antes de assumir a presidência da República, o país atravessava uma profunda crise econômica e social. Citando dados sobre a geração de emprego nos seus 32 meses de governo, ele afirmou que o crescimento é para todos os brasileiros.

"Todos sabem que, quando eu assumi a Presidência, o Brasil estava mergulhado em uma profunda crise econômica e social. O quadro era assustador: a economia estagnada, o desemprego crescendo, a inflação disparando e a crise social prestes a explodir. Dessa vez, o crescimento é para todos, com geração de empregos e distribuição de renda. Graças a Deus, e a muito trabalho, nosso governo já criou 3 milhões e 200 mil novos empregos, com carteira assinada. Não é tudo que precisamos. Mas já é bastante e tenho orgulho disso".

Fazendo evocações ao feriado da Independência, Lula ainda prometeu que, este ano, o Brasil alcançará auto-suficiência na produção de petróleo.

"Permitam-me nesse dia da Pátria, dia da soberania nacional, celebrar com vocês uma grande conquista: este ano alcançaremos a nossa auto-suficiência na produção de petróleo, que tornará o Brasil muito menos vulnerável diante das crises internacionais"


Escrito por João Carlos às 23h37
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ESCÂNDALO DO "MENSALÃO"/ HORA DO "MENSALINHO"

Denúncia de cobrança de propina fragiliza a situação do presidente da Câmara


Oposição pede investigação e sugere saída de Severino

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA


Parlamentares de oposição pediram ontem uma investigação sobre as denúncias de corrupção envolvendo o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti. Até mesmo a licença ou a renúncia do deputado foram sugeridas.
A situação de Severino, que já vinha sendo criticado ao longo da semana por sua entrevista dada à Folha, onde defendeu uma punição mais leve aos parlamentares envolvidos em acusações de recebimento do suposto "mensalão" e de uso de caixa dois, ficou mais grave após novas denúncias surgidas no fim da semana.
À revista "Veja", Sebastião Augusto Buni, proprietário de uma empresa que administra o restaurante da Câmara, afirmou que pagava a Severino uma mesada de R$ 10 mil para ter benefícios no contrato. O presidente da Câmara nega e diz ser vítima de uma tentativa de extorsão do empresário, uma vez que a licença de Buani para explorar o restaurante acaba neste mês. A Polícia Federal vai investigar o caso.
O deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) disse que a iniciativa da investigação deveria partir do próprio Severino. Ele cobrou uma apuração "transparente" das denúncias.

O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), afirmou que as acusações devem ser analisadas de forma cautelosa para não "desestabilizar" ainda mais o Parlamento. Para ele, Severino deve ser investigado como os demais parlamentares acusados de participar do esquema do "mensalão"."O presidente [da Câmara] já deu uma resposta rápida. Vamos avaliar durante a semana se foi suficiente. Mas, se tudo for confirmado nas investigações, é preciso que seja adotado o mesmo procedimento tomado contra os demais parlamentares acusados."

Maia acha precipitado levar as acusações diretamente para o Conselho de Ética da Câmara. O melhor seria deixar as apurações inicias por conta da corregedoria da Casa. "Mas, se os partidos perceberem que o presidente está querendo usar seu poder para obstruir as investigações, eles tomarão uma atitude", acrescentou.
Como presidente da Câmara, Severino pode determinar à corregedoria o arquivamento do processo contra ele.

Maia casou-se na noite de sexta-feira no Rio de Janeiro. O senador tucano Arthur Virgílio (AM), que esteve presente à cerimônia, relatou que "só se falava" no novo escândalo no casamento. "É literalmente o fim do mundo. Todos estavam com sentimento de repulsa. Que país é esse?", declarou.



Escrito por João Carlos às 16h57
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Ele disse que não há mais clima para Severino se manter na Presidência da Câmara. "Ele já vinha sendo acusado de ser "mensalista". Agora, essas novas acusações. Temos expectativa de que na segunda-feira ele já tenha tomado essa decisão [se afastar do cargo]."
O deputado Chico Alencar (PT-RJ) pediu ontem, em nome da esquerda petista, o afastamento de Severino para que sejam investigadas as acusações. "A situação é muito grave, é um dos poderes da República que está sob suspeição", afirmou. A saída de Severino, no entanto, não foi sequer apreciada pelo PT durante reunião do Diretório ontem.
Para o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), seria necessário montar uma comissão suprapartidária para apurar as denúncias.

O deputado federal José Janene (PP-PR) saiu em defesa do presidente da Câmara. "Eu boto minha cabeça a prêmio para salvar o Severino. É um homem pobre, honesto. Existe uma campanha para desmoralizar o Severino e derrubar o [presidente] Lula e o Alencar. Eles [oposição) querem o José Tomaz Nonô no lugar do Severino para fazer eleição indireta."

Se houver processo no Conselho de Ética, Severino estará sujeito à perda do mandato por quebra de decoro parlamentar. Na hipótese de cassação do mandato ou renúncia da Presidência, a Câmara teria de convocar nova eleição após cinco sessões. Já no caso de licença temporária, será substituído pelo 1º vice-presidente, José Tomaz Nonô (PFL-AL).
Internamente, Severino também pode em tese ser investigado pelo corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), de quem é amigo. Qualquer deputado pode pedir a apuração. Caberia a Nogueira fazer um relatório à Mesa sobre o caso, com a sua opinião.
Na área judicial, qualquer iniciativa dependerá do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, por causa do foro privilegiado de deputados no Supremo Tribunal Federal. Ele disse que iria ler a reportagem da "Veja" e examinar se há elementos para pedir a abertura de inquérito criminal ao STF ou de uma investigação interna.


Com a Agência Folha, da Reportagem Local e da Redação



Escrito por João Carlos às 16h57
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